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OPINIÃO
Século XXI: a geração que viverá mais de 100 anos
*Cadri Massuda
25/03/2017

Na área da saúde, o século XX foi a era do tratamento de doenças e cuidado ao doente. Tivemos a descoberta de medicamentos e a evolução de tratamentos para doenças crônicas, fazendo com que os pacientes pudessem viver mais. Grande parte do aumento da longevidade deve-se à melhoria da assistência médica nos últimos 100 anos.

 

Já o século XXI será de prevenção. A tecnologia nos permitirá descobrir as doenças antes mesmo de elas se manifestarem. Isso já é uma realidade com o genoma, que permite identificar futuros problemas em células ainda saudáveis. E, ao verificar essas patologias, passamos a pensar na prevenção.

 

Um exemplo deste avanço é o procedimento realizado pela atriz norte-americana Angelina Jolie que, por apresentar um histórico familiar de câncer de mama, pôde identificar sua propensão a desenvolver a condição. E, preventivamente, realizou uma mastectomia radical dos dois seios sadios. Este fato nos mostra os efeitos da tecnologia na saúde.

 

Além disso, a tecnologia nos possibilitará o acesso imediato a todas as informações sobre nossa saúde, como histórico e resultados de exames. É um verdadeiro gerenciamento tecnológico. Por meio do uso de um aparelho, como um relógio, todas as informações sobre nosso corpo poderão ser identificadas, como pressão, glicemia, ansiedade, sono, gasto de calorias ou ingestão de alimentos, fazendo uma manutenção da nossa saúde em tempo real, identificando a probabilidade de desenvolver uma doença ou indicando formas de prevenção.

 

As informações de milhões de pessoas serão armazenadas e comparadas, possibilitando análises de sintomas e um mapeamento da saúde coletiva. O caso da epidemia Ebola é um exemplo de doença que não teve um impacto maior em razão da rápida identificação e mobilização das organizações da saúde do mundo todo. Se essa epidemia tivesse ocorrido há 100 anos, apenas iríamos descobri-la quando já estivesse alastrada por todo mundo.

 

Então, em um futuro próximo, saberemos o que acontece com a saúde dos indivíduos a todo momento. E isso vai gerar alertas constantes para os serviços de saúde. As máquinas terão condições de fazer diagnósticos e, inclusive, indicar detalhadamente o melhor caminho a ser seguido em cada caso. Passaremos a contar também com as terapias genéticas de substituição de células velhas por novas, o que permitirá a troca celular nos órgãos, aumentando a vida útil do corpo humano.

 

É um novo mundo que está surgindo e que, com isso, espera-se um aumento da expectativa de vida da população, em especial dos que estão nascendo agora e nos próximos anos, que terão condição de cuidar da saúde e viver tranquilamente entre 100 e 140 anos.

 

*Cadri Massuda é presidente da Abramge- Associação Brasileira de Planos de Saúde, regional PR/SC.
 

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